Os preços elevados em serviços serão compensados por outros componentes da inflação. No entanto, não dá para esperar alívio suficiente para que a inflação geral tenha uma convergência mais rápida para a meta, segundo o economista Matheus Dias, da FGV-Ibre.
O preço dos serviços, que foi um dos principais entraves para a queda da inflação em 2025, deve permanecer em alta ao longo de 2026. Segundo a análise do economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), o setor continuará registrando altas, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e pelo aumento da renda disponível das famílias brasileiras.
Dias afirma, porém, que não dá para esperar alívio suficiente nos preços de Serviços para que a inflação geral tenha uma convergência mais rápida para a meta – o que poderia ajudar o Banco Central a diminuir a taxa básica de juros, a Selic, em um ritmo maior.

O impacto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve ser compensado por outros componentes – ou seja, enquanto serviços permanecerão com preços altos, outros indicadores devem ter queda.
Mercado de trabalho e renda seguram alta
Para 2026, a principal hipótese é de que os preços de serviços continuem sob pressão. O fator primordial para esse comportamento é o nível de desemprego baixo, que resulta em um número maior de pessoas com renda e, consequentemente, em uma atividade econômica mais intensa.
Juro alto e a inflação de serviços
Embora os brasileiros estejam com “o bolso mais cheio”, a taxa básica de juro, atualmente em 15%, ainda foi um fator impeditivo para o sonho da casa própria. Segundo Dias, mais pessoas se mantiveram em contratos de aluguel e, com maior procura, a inflação deste item acumulou alta de 6,97% em 2025.

Isenção do IR será ‘fagulha’ para elevar preços
Além do emprego, um fator novo em 2026 deve injetar ainda mais fôlego na demanda: o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR), que pode levar a um “choque de consumo”.
A partir deste ano, quem ganha até R$ 5 mil não vai pagar imposto de renda, e quem recebe até R$ 7.350,00 mensais terá descontos escalonados em relação ao imposto que pagava anteriormente. Antes, a isenção era para quem recebia até dois salários mínimos (R$ 3.036).
Projeções
A projeção da FGV-Ibre para o fim de 2026 é de um IPCA de 3,9%. No entanto, Matheus Dias alerta que os serviços não devem ajudar nesse processo de queda. “Os serviços não vão ajudar a inflação a cair. Não vai ter alívio suficiente nos serviços para que a gente tenha uma convergência mais rápida para a meta”.
A manutenção dessa pressão pode influenciar o ritmo de queda da Selic. A expectativa é que os cortes na taxa de juros comecem no primeiro trimestre de 2026, com a taxa encerrando o ano entre 12,5% e 13%.
O cenário ainda pode ser alterado por fatores externos e incertezas políticas. Eventos geopolíticos que afetem o preço do petróleo e a volatilidade do câmbio em ano eleitoral são pontos de atenção que podem impactar os preços monitorados e a inflação como um todo, alerta o economista.

